Ao Pipoca, com amor


Como eu vou viver sem você? Se suas três camas e seus brinquedos ainda estão espalhados pela casa.

Ainda vejo você andando atrás de mim, latindo para alguma abelha ou chorando por uma cenoura.

Seu xixi ainda está na varanda, e eu ainda posso sentir a maciez do seu pelo nas minhas mãos. As marcas das suas patinhas ainda estão no chão, e o pote, cheio de ração.

Como eu vivo sem você? Sem sua alegria quando a gente chegava em casa, mesmo quando só tinha ido levar o lixo. Sem seu olhar amoroso ou feliz quando voltava do passeio, ou sua cara sorridente na cadeirinha do carro.

A casa está vazia. Tudo está vazio.

Meu Callum Céu Azul, que virou Pipoca... Pipi, Pipos... Me apaixonei por você desde a primeira vez que te vi naquela gaiola e te prometi que seria meu.

Quase 12 anos... tão perto. Faltavam 9 dias pra gente celebrar. Mas você tinha que ir, e eu tive que entender. Mas, e agora, como eu faço pra viver?

É tão pesado sem você. Tão frio. Tão triste.

A gente faria tudo. Daria tudo. Tentamos.

Você deu o seu melhor. Os veterinários deram o melhor deles. Nós demos o nosso. Mas não deu.

Tudo em quinze dias.

Q u i n z e d i a s.

Como posso acreditar?

Cada segundo ao seu lado valeu a pena. Você nos ensinou que, em poucos centímetros e quilos, podem caber todo o amor, toda a força e toda a coragem do mundo.

E agora eu fico aqui. Ou o que sobrou de mim.

Da mulher que aprendeu a ser mulher com você ao lado. Que aprendeu a ter uma família com você, nosso primeiro filho.

Desde quando você esperava a gente voltar da balada, passando pelas vezes em que, deitado no meu colo, sentiu seu irmão chutar dentro da minha barriga; quando teve que se adaptar na casa dos avós enquanto tivemos que morar fora; nosso reencontro; a adaptação com um novo bebê em casa; e vê-lo crescer e brincar com você a cada dia, passando pelas fases e fotografias.

Ficam as lembranças. Tantas.

Do chihuahua de pelo longo, impostor gente boa, que chegou em casa de mansinho, sem o marido querer, e depois ganhou o reino e a preferência paterna.

Da árvore de Natal com o pé quebrado até hoje. Dos rodapés comidos. Das corridas atrás dos bichinhos. Dos dentinhos de leite que guardei. Dos desafios com o brinquedo na boca. Do cantinho do home office. Da inteligência que mostrava toda vez que entendia tudo o que a gente falava.

Você foi e sempre será minha melhor escolha. 🍿

Não sei como vai ser — nenhuma resposta parece válida.

Estamos sem chão, flutuando no espaço vago que você deixou.

A vida só segue, só vai.

Assim, só por ir.