Na infância, durante as compras do mês no mercado, entre as gôndolas que percorria com meus pais, um urso me chamou a atenção. Ele era comum, branco e usava uma roupa cor-de-rosa.
Na minha inocência, aos dez anos de idade, pedi que o comprassem e ouvi a negativa do meu pai, que justificou: “Você não é mais criança.”
Lembro que estávamos próximos ao Dia das Crianças e me senti muito mal, pois eu me considerava uma criança.
Os dias passaram e, no Dia das Crianças, meu pai viajou a trabalho. Acordei com um pacote ao lado da minha cama e, ao desembrulhá-lo, lá estava ele: o urso do mercado.
A alegria daquele presente era maior do que o próprio urso. Eu tinha sido vista. Eu ainda era uma criança, e ele sabia disso.
Nunca mais esqueci do urso. Nem daquela manhã.
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Algumas vezes, o amor mora justamente nessas coisas pequenas que não parecem ter tamanho. Um presente ao lado da cama. Uma lembrança guardada. Um desejo que alguém escutou, mesmo quando a resposta, na primeira vez, foi não.