Pedaço em branco

Textos perdidos, textos achados. Textos nunca organizados ou reconhecidos. Sempre escritos despretensiosamente, tão de dentro para fora que se tornaram incompreensíveis. E será que a ideia era ser entendidos, uma vez que nunca sequer eram lidos?

Palavra por palavra, textos e mais textos foram feitos. Por quê? Para quem? Se talvez não sejam lidos, por que saem formulados em frases de dentro de mim?

Tenho inúmeras perguntas, mas nunca fui muito boa em encontrar respostas. Trago-as, portanto, ainda vivas e questionadoras em mim.

Textos são como vozes silenciadas, nunca ouvidas, que se apagam no papel — esse mesmo pedaço em branco, vago no espaço do silêncio.