Você tinha só alguns dias quando descobri que não conseguia dormir de meias. Se revirava a noite toda, inquieto, como se algo não encaixasse. Tirei, e então você dormiu tranquilo, entregue.
O calor da gestação sempre foi seu... calor que não é só do corpo, mas da alma.
E até hoje, na hora de dormir, não gosta de se cobrir. Prefere a leveza, o espaço. Meu menino iluminado tem o sol dentro de si.
Você abre o tempo mais nublado com seu jeito falante e persistente, sempre cheio de pedidos, perguntas e argumentos. Há uma força doce em você, uma luz que não se apaga, só se espalha.
E eu vejo, todos os dias, esse seu sol crescer um pouco mais. Como um amanhecer que nunca se repete, você chega renovando meus dias, aquecendo meus medos e colorindo até os instantes mais simples. E assim, sem perceber, você é o calor que ficou em mim.
